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| Foto: Enzo Mingroni/g1 |
Por décadas, eles fizeram parte da paisagem urbana e do dia a dia da população. Em esquinas, praças e pontos movimentados, os orelhões foram sinônimo de comunicação acessível. Agora, esse capítulo caminha para o fim também em Milagres, que ainda mantém apenas dois telefones públicos, ambos sob responsabilidade da empresa Oi.
Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmam que o Ceará ainda conta com 465 orelhões espalhados por diversas cidades, mas o cenário é de despedida. A partir deste mês de janeiro, começa a retirada definitiva dos aparelhos em todo o Brasil, marcando o encerramento de um serviço que já foi essencial para milhões de brasileiros.
Fim de uma era nas ruas de Milagres
Em Milagres, os poucos orelhões restantes resistem mais como símbolos de um tempo passado do que como instrumentos de uso cotidiano. Com a popularização dos celulares e o avanço da internet móvel, a procura pelo serviço caiu drasticamente, tornando os aparelhos cada vez mais raros e, muitas vezes, inutilizados.
Mesmo assim, para parte da população, especialmente idosos ou pessoas em situação de vulnerabilidade, os telefones públicos ainda representam lembranças de acesso garantido à comunicação, principalmente em emergências.
Ceará ainda mantém quase 500 aparelhos
Segundo a Anatel, 38 mil orelhões ainda existem no território nacional. No Ceará, dos 465 aparelhos, 287 estão ativos e 178 em manutenção. A retirada dos equipamentos começa agora porque, no ano passado, chegaram ao fim as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos telefones públicos: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica.
Com o encerramento desses contratos, as operadoras deixam de ter obrigação legal de manter a infraestrutura dos orelhões, abrindo caminho para a extinção definitiva do serviço.
Retirada será gradual, mas irreversível
A Anatel informa que a retirada dos orelhões não acontecerá de forma imediata em todos os locais. Agora em janeiro terá início uma remoção em massa de carcaças e aparelhos já desativados, enquanto outros pontos ainda poderão manter os telefones por um curto período.
Em cidades como Milagres, onde restam apenas dois aparelhos, o impacto é mais simbólico do que prático. Ainda assim, a saída dos orelhões representa mais um sinal das transformações tecnológicas que mudam o cotidiano urbano e a forma como a população se comunica.
Um marco da memória urbana
O fim dos orelhões em Milagres não é apenas uma mudança estrutural, mas também cultural. Eles testemunharam histórias, encontros e emergências, e agora cedem espaço a uma nova realidade, marcada pela comunicação digital e instantânea.
A cidade acompanha, assim, o encerramento de um serviço histórico, que fez parte da vida de gerações e deixa saudade, mesmo em tempos de celular na palma da mão.
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