Painel estadual revela crescimento de denúncias de maus-tratos a animais em Milagres

Foto: Reprodução/ iStock

Os números são frios, mas a realidade por trás deles é dura e pede atenção. Milagres encerrou 2025 com oito registros oficiais de maus-tratos contra animais, o maior número dos últimos anos no município. Os dados fazem parte do novo Painel Dinâmico de Proteção Animal, lançado nesta terça-feira, dia 13, pela Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) em parceria com a Secretaria de Proteção Animal (Sepa), ferramenta que reúne e organiza informações sobre esse tipo de crime em todo o Ceará.

O lançamento do painel ocorre em um momento em que o estado inteiro vive um cenário de preocupação. Em 2025, o Ceará registrou 1.131 casos de maus-tratos, um aumento de 3,86% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 1.089 ocorrências. O crescimento reforça a importância de monitorar os dados, investir em políticas públicas e ampliar a conscientização da população.

Em Milagres, o histórico revela uma trajetória de oscilações que agora chama atenção. Em 2019 houve apenas um registro. O número subiu para cinco em 2020, caiu para dois em 2021 e 2022, voltou a subir para cinco em 2023, recuou levemente para quatro em 2024 e, em 2025, alcançou oito ocorrências. No ano passado, os casos se concentraram principalmente entre março e julho, sendo um em março, dois em abril, um em maio, um em junho e três em julho, o que indica um período crítico que merece análise e ações preventivas.

O painel também mostra padrões importantes. As ocorrências de maus-tratos acontecem com mais frequência às sextas-feiras, concentrando 25,93% dos registros, e no período da manhã, quando 51,85% dos casos são notificados. 

No contexto do Cariri, Milagres aparece como o quinto município com mais registros em 2025. O Crato lidera com 28 casos, seguido por Brejo Santo, com 16, Juazeiro do Norte, com 15, Barbalha, com nove, e Milagres, com oito. Em seguida vem Caririaçu, com sete. Embora não esteja no topo da lista, a posição de Milagres reforça que o problema está presente e não pode ser ignorado.

A legislação brasileira oferece uma base sólida para o combate a esse tipo de crime. A Lei de Crimes Ambientais, de 1998, já previa punições como detenção e multa, mas a Lei nº 14.064, de 2020, conhecida como Lei Sansão, tornou as penas mais severas para maus-tratos contra cães e gatos, com reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. A lei considera maus-tratos práticas como abuso, ferimentos, mutilações, abandono e a privação de necessidades básicas, como alimento, água, abrigo e atendimento veterinário, e se aplica a animais silvestres, domésticos e domesticados.

Para Milagres, os dados do Painel Dinâmico de Proteção Animal representam mais do que estatísticas. Eles funcionam como um retrato do cotidiano e um chamado à responsabilidade coletiva. Proteger os animais é também cuidar da cidade, promover respeito, empatia e qualidade de vida. Ao dar visibilidade ao problema, o município ganha uma ferramenta importante para fortalecer políticas públicas, estimular denúncias e construir uma cultura de proteção e cuidado, onde cada vida, humana ou animal, importa.

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