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| Foto: Klébio Leite |
A ciência saiu dos laboratórios e ganhou as ruas de Milagres na manhã desta terrça-feira, dia 8, com mais uma edição do Ceará Científico - Etapa Escolar. A Escola Estadual de Educação Profissional (EEEP) Irmã Ana Zélia da Fonseca realizou o 13º Desfile de Abertura, atividade que marca oficialmente o início da Feira de Ciências da instituição e das apresentações dos projetos desenvolvidos pelos estudantes.
Neste ano, o evento tem como tema “Ciência, Cidadania e Convivência Democrática: o conhecimento a serviço da vida coletiva”, proposta que busca aproximar a produção científica dos estudantes das questões sociais e dos desafios vivenciados pela comunidade.
A concentração e a saída do desfile aconteceram no Parque de Eventos de Milagres. Estudantes dos cursos de Enfermagem, Informática, Eletrotécnica e Administração participaram da caminhada, que percorreu ruas e avenidas do município até chegar à sede da EEEP Irmã Ana Zélia da Fonseca.
O percurso passou pela Avenida Djalma Sobreira, Rua Júlio Coelho, Rua Padre Misael Gomes, Rua Pinto Madeira, Rua Isaías Bezerra, Praça do Cemitério, Rua Abílio Cruz, Praça Ernesto Gomes, Avenida Elias Saraiva dos Santos, Travessa Jacob Félix, Praça Centenário, Avenida Pedro Leite da Cunha e Rua Professora Maria de Fátima Tavares Leite, chegando a sede da escola.
Durante o trajeto, os estudantes apresentaram mensagens relacionadas à educação, ciência, diversidade, cidadania, cultura e respeito às diferenças, transformando o espaço público em uma extensão da sala de aula.
Música e reflexão social
Um dos momentos de destaque foi a utilização de músicas da cantora Elza Soares, cuja obra é marcada por temas relacionados às questões sociais e raciais. Entre as canções apresentadas esteve “A Carne”, utilizada como elemento de reflexão sobre desigualdade racial, preconceito e valorização da população negra.
A escolha das músicas reforçou a proposta do desfile de aproximar a ciência e a educação de manifestações culturais e de temas presentes no cotidiano da sociedade.
Projetos aproximam ciência da realidade
Na EEEP Irmã Ana Zélia, os projetos do Ceará Científico são desenvolvidos pelos próprios estudantes, com orientação dos professores. As pesquisas estabelecem conexões entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e diferentes questões sociais, culturais, ambientais e educacionais. Os projetos serão apresentado a população nesta quarta-feira, dia 9.
Entre os projetos apresentados neste ano está o “Diálogo Vivo: do Papel à Prática da Convivência Democrática”, que busca produzir, aplicar e divulgar conhecimentos relacionados à ciência cidadã e à convivência democrática, estimulando o diálogo, a participação, o respeito à diversidade e o reconhecimento de diferentes vozes e experiências.
O projeto “Letreiro Encantado: Ciência, Memória e Identidade” trabalha a valorização da cultura local e a construção da identidade da população de Milagres, utilizando a memória e a história como instrumentos de fortalecimento da cidadania.
Já o projeto “Jogos Cooperativos e a Convivência Democrática” utiliza atividades lúdicas para desenvolver valores como respeito, solidariedade, empatia, diálogo, participação e cooperação entre os estudantes.
Na área da matemática e da educação, o “Métrica da Cidadania” apresenta de maneira prática a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia utilizada no cálculo das notas do ENEM. Por meio de exemplos e de um jogo interativo, o projeto procura explicar por que estudantes com o mesmo número de acertos podem obter notas diferentes na avaliação.
Também está entre os trabalhos o projeto “Educação Antirracista e Diversidade Cultural”, dedicado ao estudo e à valorização das contribuições afro-indígenas para a cultura local e regional.
O “Entre Páginas e Palcos” investigou os hábitos de leitura dos estudantes da escola e trabalhou a ressignificação de obras literárias por meio da dança, música, teatro e produção audiovisual. A proposta também estimulou a escrita criativa, a roteirização, a autonomia e o trabalho colaborativo.
Na área da saúde, o projeto “Primeiros Cuidados Psicológicos em Situação de Crise e Emergência” busca ampliar o acesso a informações sobre saúde mental e primeiros cuidados psicológicos, além de contribuir para a capacitação comunitária e a articulação com redes de apoio.
O projeto “Práticas Experimentais de Ciências da Natureza” tem como foco ampliar o protagonismo juvenil e a participação dos estudantes em práticas científicas dentro da escola.
Outro trabalho desenvolvido é o “Cuidado Não Tem Rótulo”, que investiga o nível de conhecimento e preparo de Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias para o acolhimento e atendimento da população LGBTQIAPN+ na Atenção Primária à Saúde de Milagres. A proposta pretende, a partir dos resultados da pesquisa, contribuir para ações educativas voltadas à equidade, ao respeito à diversidade e à qualificação do cuidado.
Caminho até a etapa estadual
O Ceará Científico é desenvolvido anualmente em três etapas: Escolar, Regional e Estadual.
A primeira acontece dentro das próprias escolas, onde os estudantes desenvolvem e apresentam seus projetos. Os trabalhos selecionados avançam para a Etapa Regional, realizada no âmbito das Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (CREDEs) e da Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (SEFOR).
Na região do Cariri Leste, a organização da etapa regional fica sob responsabilidade da CREDE 20, com sede em Brejo Santo.
Os projetos que se destacam na fase regional seguem para a Etapa Estadual, em Fortaleza, onde são reunidos trabalhos de diferentes regiões do Ceará.
Ciência que ocupa a cidade
Mais do que uma abertura simbólica, o 13º Desfile do Ceará Científico representa uma forma de aproximar a escola da comunidade e mostrar que a produção de conhecimento pode dialogar diretamente com a realidade social.
Ao levar estudantes, pesquisas, manifestações culturais e mensagens de cidadania para as ruas de Milagres, a EEEP Irmã Ana Zélia da Fonseca reafirma o protagonismo juvenil e apresenta à população parte do trabalho desenvolvido ao longo do ano.
A iniciativa também reforça a ideia de que fazer ciência é investigar problemas, questionar a realidade e buscar soluções que possam contribuir para uma sociedade mais justa, participativa, inclusiva e democrática.
Com o desfile, a EEEP Irmã Ana Zélia dá início a mais uma edição do Ceará Científico, colocando os estudantes no centro da produção do conhecimento e mostrando que a ciência também pode caminhar pelas ruas, dialogar com a cultura e estar a serviço da vida coletiva.
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